Ou

10 de abril de 2010

Ser o que o homem é
Ou pensa em ser
Ou é

Querer tornar-se o que um dia se quer
Ou apenas tornar-se um
Ou apenas ir

Construir em cada tijolo um pouco de sonho
Ou apenas sonhar sem construir
Ou somente se deixar moldar

Não se contentar com que é
Ou apenas ser
Ou não querer se contentar

Caminhar sem pisar os pés no chão
Ou pisar em um chão hostil
Ou não caminhar

Querer ser o que o amor já é
Ou apenas amar
Ou nem me fale de mim

Abraçar o mundo quando o mundo te agride
Ou apenas agredir
Ou apenas abraçar…

Trem

30 de março de 2010

Por muito tempo achei que andava acordado enquanto todos dormiam
Agora acho que durmo enquanto os acordados me agridem
Sinto-me um anjo caído sobre um canil voraz
Ao fechar os olhos sinto minhas asas dilaceradas por caninos vivos

Ouço minha alma gritando lá de dentro
Dizendo que tem algo errado com minha vida
Mas tenho duvidado de meus músculos
Se eles ainda guardam energia para a disputa de penaltis

Então caio de joelhos sobre minha piedade
Que insiste em implantar um sentimento de culpa
Culpa que eu não sei de quê
Ouço e vejo outros anjos caídos ao meu lado

Talvez uma tentativa louca de buscar
Justificativas por derrotas que não existiram
Alimentam dúvidas sobre o exato momento
Em que eu perdi o trem e dormi na estação

E esse tal desse trem existe?

15 de janeiro de 2010

Tenho asas preguiçosas que não querem voar
Tenho olhos teimosos que insistem em ver o invisível
Tenho mãos inquietas que não se contentam com o bruto
Tenho pés tão delicados que detestam pisar no duro

Sou um cara tão leve preso a uma bigorna de carne e osso
Sinto a música me acariciar mas meus dedos limitam sua grandeza
Tenho uma boca ressecada pela vontade de comer núvens
Tenho desejos tão gigantescos que meu cérebro se recusa a entendê-los

Tenho um pau em plena saúde mas atrapalha meu coração
Meu coração, aliás, se cansou de ver misérias
Se acorvadou, murchou e hibernou
Acabou alojado e protegido em meu peito…

15 de janeiro de 2010

Tenho sentido minhas poesias tensas, tristes, densas, chorosas, melancólicas e tudo mais. Minhas últimas composições têm me entediado, apesar de letras bacanas. Tenho chorado muito nos últimos filmes que assisti.

Quando a arte está doente ou a alma do artista está remoída ou ele está devorando demais o amarelo e colorindo com muita visceralidade suas entranhas…

A água e o nó

15 de janeiro de 2010

A água descendo pela garganta alisa alguns nós atados pelo tempo
Ela tenta dançar sobre suas amarras na tola esperança de torná-los livres
Quando chega no estômago percebe que sua tentativa foi em vão
Pois quase sempre nós na garganta são nós cegos

Mas ainda assim continuamos bebendo água…

15 de janeiro de 2010

O mundo será bem melhor quando o amor entre as pessoas tiver a grandeza do amor das mulheres. Elas realmente estão um passo à frente na evolução em relação aos homens. O elo masculino entre o coração e o pênis não existe. Por isso eles geralmente são cegos e ofuscados pelo brilho intenso das suas magníficas mulheres explodindo em orgasmos em um ato sexual. A natureza às vezes complica tanto as nossas vidas…

15 de janeiro de 2010

A inveja é um muro de concreto alto pichado de spray preto em frente a um precipício com uma paisagem encantadora

The end

19 de novembro de 2009

Sou assim mesmo
Deitado sob seu olhar
Lambendo o mesmo chão que você me pisa

Pode me cuspir qualquer verdade
Eu sou cafona assim mesmo
Coração alargado e um bobo brilho no olhar

Cuidado apenas pra não me machucar, baby
Eu sou meio ruim de perdoar
Então cuidado com o osso na hora de mastigar

Pode me ligar na madruga
Com o coração batendo assustado nas mãos
Eu jamais menti ao pé do seu ouvido

Eu deixo você me chupar, me foder, me descerrar
Vivo num set de uma comédia romântica
Louco e ansioso pelo grito de “ação”!

Só um coisa que eu não posso deixar de esconder
Você pode me usar e se deliciar como quiser
Mas jamais me prive do sorriso final quando as letras começarem a subir…

11 de novembro de 2009

Hoje de manhã vesti umas metáforas
Alinhadas, perfumadas e engomadas
Apertei os últimos botões, ajeitei o cabelo
E saí pelas ruas sem me expor para ninguém

Estou perto de comer o amarelo…

11 de novembro de 2009

Se carinho falasse ele teria a sua voz

2 de novembro de 2009

Às vezes me perco nessa pesada mania de querer segurar o leve nas minhas mãos. Como se meus dedos fossem delineadores de vento e meus olhos curiosos desvendadores do nada. Eu não consigo flutuar com as mãos no bolso…

15 de outubro de 2009

Minha alma se alimenta de uma eterna necessidade de estar apaixonado. Maluco? Carente? Leviano? Não, não, sou poeta…

Fugitivo

15 de outubro de 2009

Sou eu mais uma vez todo suado
Correndo com um machado na mão
Culpado mais uma vez por querer podar
Aquilo que todo mundo um dia plantou

Paro um pouco numa esquina escura
Minhas veias entrando em erupção
Assim como o meu ventre
O grande culpado por minha insensatez

Eu que não aguentei mais
Depois de tanto me esgueirar pelas bordas
Tentando ser leal a mim mesmo
Mas cansado de me submeter à tirania dos desejos

Me deixei embarcar em uma nave plástica
Quando a sede já não mais cabia em minha boca
Sou humano levando aos extremos da minha condição
De animal acuado e tenso

Daí então eis que me brota uma luz
Charmosa, cândida, sedutora
E traz um grande banquete
Para cães famintos e ferozes

Ladrei como nunca antes
Talvez tomado pelo desespero
Acorrentado pelas penitências que outrora
Eu mesmo escolhi

Engraçado que mesmo diante do imaginário
Onde o pão e o vinho não têm tanto valor
Caí de joelhos pela minha condição humana
E com as mãos banhadas de sangue subtamente eu sorri…

A arte do seu jeito

9 de outubro de 2009

Ponho em minha vida a arte do seu jeito
Colho em cada galho o seu brilho imaturo
Abro um casulo e vejo o sémen dos seus olhos voar

Estendo minha mão como quem oferece o pão
Cedo-lhe minha alma embrulhada pra viagem
Pronta para abraçar a imensidão

Subo cada galho cheio de expectativas
Sinto-me leve ao ver o céu se aproximar
Dentro de sua copa, verde, calmo e perfumado

Escuto a solidão lá de longe com medo do chão
Encho minha cabeça de pensamentos sem razão
Calcado de solitude mas assim meio garanhão

Deixo o pólen do teu hálito cobrir meu rosto talhado
Deixo sua juventude me servir seu banquete
Como cada mês como quem devora décadas

Salto de asas abertas para agarrar estrelas
Sinto o vento vadio acarinhar meus pelos
Olho para o lado e vejo você

Castelo de amores, pilares de energia
Sonhos disseminados, dores minimizadas
Beijos ao molho de uma eterna redenção

Só o amor constrói, só o amor entende
Só o amor sedimenta, só o amor “conhece o que é verdade”
Só o amor arrefece quando a centelha de vida esvai

7 de outubro de 2009

Morrer deve ser como um orgasmo. Mas sem o corpo físico pra interromper.

Faróis

17 de setembro de 2009

Estamos perdendo nosso tempo
Jogando as oportunidades no lixo
Cagando sobre cada traço de luz
Cegos marchando para o precipício

Nos perdemos em labirintos
Criados pela nossa lucidez
Tão fascinantes quanto truques de mágica
Tão vazios quanto a minha estupidez

Deixamos o relógio correr solto
Blindamos nossos egos hermeticamente perfeitos
Como se pudéssemos amarrar a perfeição
E derramá-la em nossos corações

Como somos pequenos
Cultivando nossa insensatez
Tentando transpor portões altivos
Sem nem mesmo saber o que está por trás da muralha

Somos um pobres boçais
Coroamos reis pobres em nossas barrigas
Acendendo a brasa por trás das costelas
E cantando nossas misérias para ouvidos surdos

Vamos celebrar cada dia de finados
Crucificar cada entonação
O amor está quase se cansando
Isso não é uma rebelião

Somos sementes jogadas ao acaso
Sem opção de onde germinar
Somos gigantes guardado em pequenos armários
Somos faróis, fortes e premeditados

Noite

15 de setembro de 2009

Pra quê todo esse requinte
E distância ao me abraçar?
Exibir esse sorriso bobo
Fingindo não ter segundas intenções

Escrevemos juntos um história sem fim
Recheadas de comédia, romantismo e drama
Somos filhos de sonhos órfãos
Magoados pelas janelas abertas ao inverno

Você que sempre me prometeu
Todo o amor que a vida lhe pulsou
Agora trava a garganta e sorri
Enquanto enlouquecemos nossos quadris

Coisas de dois corpos dependentes
Que como crianças ainda choram sozinhos
Ainda que eu deslize suavemente o doce na sua boca
Te ponha em meu colo e comece a ninar

Você mal sabe em que esquinas debandei
Derramando seu recheio pouco a pouco
Enchendo meu corpo de amores vadios
Pulverizando nos outros que mais amo em você

E como covardes fugimos da dor
Numa saída careta e mesquinha
É como ter nossas asas decepadas
E ainda assim pularmos felizes no precipício

Alguém

13 de setembro de 2009

Alguém de longe por favor
Qualquer que possa captar
Cada desejo que eu mandei
Pelo espaço sideral

Alguém me escute por favor
Me leve junto pra voar
O chão não quer mais acalantar
E só me pede pra marchar

Se as suas estrelas duvidaram
Pois venha aqui pra eu te mostrar
Que já não sou mais um menino
Impaciente vendo um trenó passar

Vem me levar pra algum lugar
Onde eu possa colecionar uns sóis
No lugar da minha tristeza
Numa galáxia cor de vinho

Já não consigo pular os muros
Querem colocar fardas em mim
Montaram um teto de concreto
Pra eu não te ver no céu

Eles podem até barrar
O infinito que meus olhos buscam
Só esquecem que o amor
Faz esse planeta estacionar

11 de setembro de 2009

Se se fez, então acordei
Se apareceu, eu não notei
Se possuiu, arrefez
Se sorriu, envergonhei

Se cresceu, admirei
Se doeu, eu não chorei
Se brilhou, não me ceguei
Se beijou, iluminou a tez

Se transou, eu gozei
Se derreteu, eu mergulhei
Se ganhou, parabenizei
Se perdeu, incentivei

Se desceu, aterrissei
Se brotou, eu irriguei
Se brigou, eu conto até três
Se gargalhou, bobo eu fiquei

Se viveu, eternizei
Se envelheceu, arrematei
Se renasceu, em mim plantei
Se morreu…

Se morreu…

Se morreu…

Se morreu…

…volta pro começo outra vez!

4 de setembro de 2009

A progesterona é o anjinho do ouvido direito. A testosterona é o diabinho do ouvido esquerdo.